Na rotina do consultório não é incomum que um paciente tenha falas do gênero “Meu amigo começou a tomar determinado remédio e ficou bom da depressão, o senhor pode passar para mim também?”. A expectativa por melhora do paciente, ainda mais se ele estiver apresentando resposta aquém de suas expectativas com o tratamento atual, é compreensível. No entanto, precisamos pontuar a ele porque não é tão simples replicar resultados usando o mesmo medicamento.
O primeiro ponto a ser discutido é a questão do diagnóstico e do quadro particular de cada paciente. Mesmo que duas pessoas usem a mesma palavra para descrever seus sintomas — como ‘depressão’ ou ‘ansiedade’ — isso não significa que tenham o mesmo diagnóstico ou quadro clínico. Um exemplo claro que mudaria o planejamento terapêutico, seria alguém com depressão unipolar de outra pessoa que tem depressão bipolar. Também há questão de comorbidades psiquiátricas – isto é, outros transtornos associados – que precisam ser abordados conjuntamente em alguns casos, o que demanda ajustes no tratamento.
Além disso, ainda que o quadro clinico de duas pessoas sejam muito semelhantes, a forma como cada pessoa responde aos medicamentos depende de fatores biológicos individuais. Um dos fatores é a forma diferente como cada organismo metaboliza o medicamento. Associado a isso, também temos que pensar como cada paciente apresenta efeitos colaterais e o quanto cada tipo de efeito colateral, como mudança de apetite ou disfunção sexual, é tolerável para cada um.
Não podemos esquecer também que saúde mental não é algo isolado, portanto, a escolha do tratamento medicamentoso também precisa levar em conta questões gerais de saúde do paciente. Um paciente com doença renal, por exemplo, não será um bom candidato a receber uma receita de carbonato de lítio. Do mesmo modo, interações com medicamentos prescritos por outros especialistas também precisam ser analisadas.
Por tudo isso, copiar o tratamento de outra pessoa pode não só ser ineficaz, como também trazer riscos. A melhor forma de encontrar o tratamento adequado é por meio de uma avaliação cuidadosa feita por um profissional qualificado.