Os 4 pilares do tratamento da depressão

A depressão é uma doença que afeta um número significativo  de pessoas, chegando a 5% da população adulta mundial. A depressão é uma das três principais causas de perda de qualidade de vida. Por esse motivo, identificar pessoas com depressão e oferecer tratamento adequado é fundamental quando falamos de saúde.

  A forma como a depressão se manifesta pode variar entre pessoas diferentes. Nem sempre o indivíduo vai se queixar claramente de tristeza, por exemplo, e pode dar mais destaque para outros sintomas, como problemas para dormir, desinteresse por atividades habituais ou dor. 

  O objetivo do tratamento da depressão é acabar com o desconforto subjetivo e conseguir a remissão dos sintomas. Podemos dividir a estrutrura do tratamento da depressão em 04 pilares principais. 

  O primeiro dele é a psicoeducação. Essa etapa envolve ensinar ao paciente e à sua rede de apoio sobre seu quadro. A psicoeducação não deve ser entendida como uma aula em que o psiquiatra simplesmente transmite várias informações, porém como um processo que parte do entedimento que o paciente tem da depressão e do tratamento. A psicoeducação ajuda na criação de um vínculo e também favorece que o paciente e as pessoas próximas a ele se engajem no tratamento.

  O segundo pilar do tratamento da depressão são mudanças no estilo de vida. Algumas pessoas podem ter a visão equivocada que a função do psiquiatra é apenas de prescrever remédios, no entanto atentar-se para a rotina e hábitos, como de alimentação, também faz parte do tratamento. Um dos pontos da rotina a ser bem compreendido é o padrão de sono do paciente, algumas medidas comportamentais, como controle de estímulos, podem ajudar a promover um sono mais restaurador. Atividade física é outro elemento a ser introduzido no tratamento da depressão. Evidências científicas confirmam seu benefício, tanto de exercícios aeróbicos quanto de musculação.

  Abordagens psicológicas são o terceiro pilar do tratamento da depressão. Há vários tipos de psicoterapia que podem ter um efeito positivo para uma pessoa com depressão. Uma das modalidades mais estudadas é a terapia cognitivo-comportamental (TCC). Outra técnica associada à TCC é a ativação comportamental, que favorece um enriquecimento da rotina do paciente de forma estruturada. A psicoterapia, além de ter benefício para o quadro agudo, também favorece a prevenção de novos episódios depressivos.

  O quarto pilar do tratamento medicamentoso são os medicamentos antidepressivos. O termo antidepressivo engloba subgrupos diferentes de medicamentos. Atualmente, grande parte dos medicamentos prescritos são do subgrupo dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS), como escitalopram e sertralina, por causa de sua eficácia e perfil de efeito coleteral. A escolha do medicamento específico para cada paciente vai depender de questões como o padrão dos sintomas, tolerância a certos efeitos adversos, acesso ao medicamento e custo. Diretrizes científicas como o CANMAT ajudam a embasar  as decisões sobre o tratamento. Também é importante destacar que outros medicamentos que não são formalmente classificados como antidepressivos também podem integrar o esquema terapêutico, incluindo antipsicóticos como quetiapina e aripiprazol e o estabilizador de humor carbonato de lítio.  

  Esses quatro pilares não necessariamente serão implementados simultaneamente. A ênfase em cada um deles pode mudar ao longo do tratamento. Em alguns casos, por exemplo, será possível manejar o quadro adequadamente sem medicamento, com uso de psicoterapia e mudanças de estilo de vida. Considerar as preferências do paciente e as peculiaridades de cada caso faz parte do processo.

Jonathan Rodrigues de Assis é psiquiatra com título de especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria e atende em seu consultório presencialmente em São Paulo e online.

CRM SP 194441 RQE 72074


Referências:

Malhi et al., Lancet 2026; Rehm & Shield, Curr Psychiatry Rep 2019

Hintz AM et al. Depression and associated factors among Brazilian adults: the 2019 national healthcare population-based study. BMC Psychiatry. 2023;23:704.


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